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A campanha eleitoral de 2006 será muito mais rápida do que as anteriores.Eleitores, Partidos e Candidatos precisarão estar muito atentos ao processo, para não correrem o risco de se perderem durante ele.
Vamos analisar alguns fatores:
A hiperexposição do tema na mídia durante 2005
Durante o ano de 2005 o assunto "política" esteve presente diariamente em todas os grandes meios de comunicação. A todo momento acontecia uma reviravolta na trama do Reality Show "CPI - Corrupção e Mistério", e as pessoas comuns acompanharam com sofreguidão o desenrolar dos acontecimentos. Mas, quando perceberam que de "Reality" o "Show" não tinha nada, e que tudo estava mais para melodrama mexicano, o interesse foi baixando, baixando, e o assunto morreu.
A mobilização midiática não correspondeu a uma mobilização popular e política, envolvidos e acusados perceberam este fator e deixaram a discussão correr até que ninguém mais tivesse interesse.
Se o fato da discussão política ter se esvaziado foi bom para um determinado partido ou político, para o debate eleitoral e para o processo democrático ele foi extremamente prejudicioso. Se o voto fosse facultativo no Brasil teríamos um índice enorme de abstenção neste pleito.
Um dos possíveis riscos da discussão política de 2005 ter terminado no vazio é o aumento da rejeição do horário político eleitoral: Se as pessoas já não gostavam da programação do Rádio e da TV, agora o grau de adesão será ainda menor. Quem abrir uma videolocadora vai ganhar dinheiro.
"Descrédito do jogo político"
Foi assim que Marcelo Beraba, Ombudsman da Folha de São Paulo, definiu perfeitamente o cenário. O jogo político está nivelado por baixo, pelo menos na percepção das pessoas. As pessoas não se identificam com grande parte de seus representantes, e o modus operandi da política cada vez mais se aparenta com barganhas num balcão. A mídia tem acompanhado com mais intensidade a crônica do cotidiano político do que as "questões políticas" propriamente ditas. A apatia fez com que o assunto fosse colocado em segundo plano: O debate eleitoral ainda não ganhou as ruas, apesar das articulações partidárias. A eleição parece algo distante, e estamos a apenas três meses dela.
Copa
Não há como negar que a Copa predominou até ontem nos noticiários e no coração de toda a população. Sempre foi assim, e sempre será. Como os meios de comunicação estão cada vez mais cristalizados no modelo de conteúdo sazonal - Dia das Mães, Dia dos Namorados, Festa Junina, Copa... - a eleição só surgirá agora como pauta predominante dos noticiários.
Indefinição das regras eleitorais
Desde a redemocratização do Brasil, nunca se viu uma eleição começar sem as regras do jogo estarem definidas. O TSE ainda debate o que será permitido nestas eleições. Muitas leis foram criadas a toque de caixa, contendo erros ou incongruências. Regras importantes poderão deixar de serem seguidas pelo simples fato de não existir uma punição clara para quem as desrespeitar. Sem contar com o fato da população não ter participado das decisões, o que impossibilita o cidadão comum de vigiar a ação dos políticos durante a campanha.
Acredito fortemente que a discussão política através da Internet, em canais como o Eleição.Info, será fundamental num cenário como este. A mobilização política pela Web é cada vez mais forte no Brasil, e permitirá um acompanhamento ágil, numa das eleições mais rápidas que já tivemos.
Alessandro Bender é Editor-Chefe do Eleição.Info e autor do livro E-leição - Campanhas Políticas Online.
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