Josias de Souza às 01h46
A
equipe de marketing do comitê tucano estima que, se Alckmin chegar ao
dia 15 de agosto com 25% nas pesquisas de opinião, o segundo turno será
favas contadas. A data não foi escolhida ao acaso. É nesse dia que
começa a propaganda eleitoral eletrônica.
Baseando-se
na experiência de campanhas anteriores, os marqueteiros que prestam
serviço ao tucanato concluíram que, nas próximas semanas, Alckmin
precisa se segurar nas pesquisas com índices de até 25%. Avaliam que, a
partir desse patamar, será fácil obter, a partir da exposição do
candidato no rádio e na televisão, os dez pontos percentuais que vão
assegurar o segundo turno.
Nas
duas últimas pesquisas, divulgadas em 30 de junho, Alckmin obteve mais
do que 25%. O Datafolha lhe atribuiu 29% das intenções de voto. O Vox
Populi, 32%. Os índices foram tonificados graças à superexposição que o
candidato obteve nas inserções televisivas que o PSDB levou ao ar ao
longo do mês de junho.
Os
especialistas consultados pelo comitê de campanha de Alckmin
informaram, de novo escorados na experiência de campanhas passadas, que
as taxas registradas nas últimas sondagens eleitorais podem refluir. O
desafio de Alckmin é reter pelo menos 25% da preferência do eleitorado.
O
candidato joga todas as suas fichas no “palanque eletrônico”. Nas
viagens que realizará até meados de agosto, dará preferência às cidades
que têm emissoras locais de rádio e TV, com capacidade para transmitir
para além das suas fronteiras. Na última segunda-feira, reunido com a
equipe que elabora o seu programa de governo, Alckmin destilou
confiança. E contou um caso que ajuda a explicar porque aposta na TV.
Alckmin
disse ter recebido os números do Datafolha e do Vox Populi durante uma
visita ao município amazonense de Parintins. Desceu de barco o rio
Paraná Limão. No meio do trajeto, resolveu visitar uma palafita. Como o
calado do barco não permitia chegar até a margem, foi de canoa, na
companhia de um barqueiro e do senador Arthur Virgílio (veja foto
acima).
Ele
descreveu a cena. Disse ter encontrado uma habitação extremamente
simples. Ao chegar, foi recebido por uma adolescente. Ela gritou: “Mãe,
está aqui aquele homem que apareceu na televisão!” Convidado a entrar,
Alckmin enxergou, num canto do cômodo, uma TV. Na falta de luz
elétrica, o aparelho funciona conectado a uma bateria de automóvel.
“Vivemos num país televisivo”, disse Alckmin. "A televisão está em toda
parte, mesmo nos locais mais improváveis".
Os
marqueteiros do PSDB não são os únicos a considerar o segundo turno
como algo plausível. Lula e seus principais colaboradores também
passaram a trabalhar com essa hipótese. Preparam-se para uma disputa
longa, em dois turnos. E pretendem agregar à exposição televisiva uma
seqüência manifestações de de rua em apoio à releição de Lula.
O
petismo continua confiando que o favoritismo de Lula o conduzirá à
reeleição. Acha que os índices atribuídos ao presidente pelo Datafolha
(46%) e pelo Vox Populi (45%) indicam que seu eleitorado se
solidificou. Por esse raciocínio, Alckmin teria crescido porque o
adversário atraiu votos antes destinados a candidatos que se retiraram
da disputa –Roberto Freire (PPS) e Enéas (Prona), por exemplo.
link da matéria:http://josiasdesouza.folha.blog.uol.com.br/arch2006-07-02_2006-07-08.html#2006_07-07_01_46_49-10045644-0