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Cantor Paulo Ricardo fala sobre sua candidatura a deputado federal E-mail
Por Editor Chefe   
12 de julho de 2006
O cantor Paulo Ricardo se lança candidato a deputado federal pelo PFL de São Paulo, partido ao qual se filiou a convite do prefeito Gilberto Kassab e que, aparentemente, o atrai simplesmente pelo fato de apoiar o PSDB. “Tive a premonição de que entraria para a política no 31 de dezembro de 2004, quando encontrei na festa da (Avenida) Paulista o Serra e o Alckmin”. Sua candidatura recebeu o número 2543, escolhido por conter a idade atual do cantor e compositor de “Olhar 43”, que parece ter atingido o momento em que vê o mundo dividido, conforme o slogan que cita, entre "os que fazem e os que ficam assistindo".  
02/07
Admar Branco, repórter US no Rio de Janeiro
A festa do réveillon de 2005 era animada pelo grupo PR-5, formado pelo artista após a segunda dissolução do RPM (que terminara em 89 mas teve breve retorno em 2004). A voz inquieta de Paulo Ricardo, enquanto explica sua opção pela carreira política ao Último Segundo, contrasta com a tranqüilidade com que ensaia respostas a eventuais críticos de seu engajamento:

“A grande maioria do pessoal que fala comigo em meu blog apoiou a decisão, e muita gente manifestou medo de que o ambiente e fama do político em geral pudesse me contaminar, em função dos inúmeros escândalos e da impunidade”.

E cita o slogan do iG para enfatizar ainda mais a decisão: "existem os que fazem e os que ficam assistindo”.

Proibição de showmícios

Paulo Ricardo está ciente de que não é permitido showmício nesta campanha, o que considera justo:

“Uma coisa é uma coisa, e outra coisa é outra coisa. Muitos shows são eventos de prefeituras, feiras agropecuárias, que servem para promover políticos em campanha.”

Ele ainda não pôs notícia de sua candidatura em destaque no seu site, por receio de praticar alguma irregularidade. “Não vou dizer uma palavra sobre a minha candidatura nos shows”, promete. E para garantir que não vai sair do riscado legal, conta com apoio de Cila Schuman, a mesma especialista em marketing eleitoral que assessora Domingos Afif em sua campanha para o Senado.

Crítica à esquerda radical

Para um admirador que se diz influenciado politicamente por Chico Buarque, que sempre se revelou afinado com a esquerda, Paulo Ricardo tem uma visão pragmática da política nacional:

“A política é a arte de harmonizar opostos. Fui PT quando tinha 18 anos, votei no Lula, usava até estrelinha no peito. Mas depois da falência da União Soviética a idéia de esquerda radical é obsoleta. Acredito em competência, eficiência e boa administração. O bom governo deve ser o mais desideologizado possível”.

Não nega que mudou seu modo de ver o mundo aos 43 anos de idade: “Sei que estou contradizendo meu amigo Cazuza, naquela música que até gravei [cantarola: ´ideologia, eu quero uma pra viver´].

Força para projetos em andamento

E o seu projeto? Como vai conquistar o eleitorado?

Paulo Ricardo freqüenta há dois anos as reuniões do Fórum Permanente Paulista de Música. Na próxima terça-feira, comparecerá pela primeira vez como candidato.

“Quero ajudar a dar andamentos aos projetos bacanas que já estejam em andamento”, diz com modéstia. “Sendo eleito, vou tomar pé”, responde, perguntado se conhece as comissões dedicadas a temas específicos na Câmara dos Deputados.

“Quero engrossar o bloco dos honestos”, resume. “Trazer o holofote para coisas que passam batido”.

A plataforma

E dá uma prévia de sua plataforma:

- ensino obrigatório de música nas escolas (“O ensino caiu muito, drasticamente. A gente precisa ter um posicionamento de grande nação, investir em educação, senão vamos nos tornar escravos das grandes corporações”)
- moralização das estruturas que cuidam da música (“Tem que haver uma fiscalização do Ecad, uma auditoria, uma prestação de contas. Mas não acuso ninguém, porque minha sociedade de autores, a Abramus, faz um trabalho sério”).
- combate à pirataria (“isso é crime organizado, as lojas estão quebrando, enquanto o crime conta com seus  camelôs”)
- políticas voltadas para arte e cultura (“a arte é a identidade de um povo”).

Microfone liberado para a música nos palanques

O cantor promete atender a todas as normas referentes a eleições, mas de uma coisa, garante, os eleitores podem estar certos:

“É lógico que eu vou dar uma palhinha nos comícios. Não vou levar a banda (PR-5), mas com o violão vou cantar sucessos como Rádio Pirata [cantarola: “Toquem o meu coração/Façam a revolução...], Olhar 43 e Dois [“Eu queria estar contigo, mas sei que não é permitido”]. “Dois” foi um caso de cross-over, que me permitiu abranger um público além do pop-rock – chegou a tocar em 98 até em rádios sertanejas”.

Não há dúvida de que Paulo Ricardo, que admira o ministro Gilberto Gil, não abandonará a carreira musical se for eleito:

“O que se espera de um cantor popular é que cante um sucesso”.

Contato com eleitores e fãs

E o cantor popular, no caso, não quer perder sintonia com seu público. Seu blog está ativo, com sua participação direta, desde final de 2003. Continuará recebendo e-mails, agora no endereço de candidato ( Este endereço de e-mail está sendo protegido contra spam. Você precisa ter o Javascript habilitado para lê-lo ), mas não vê mal algum em sair de Brasília de vez em quando para um show:

“Todo deputado federal passa uma parte da semana em seu domicílio, para ter contato com seus eleitores. E é o artista quem tem essa possibiliade de convívio com o grande público”.

link da matéria: http://ultimosegundo.ig.com.br/materias/eleicoes2006/2447501-2448000/2447705/2447705_1.xml

 
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