SÃO PAULO - Geraldo Alckmin (PSDB) para presidente da
República e Orestes Quércia (PMDB) para o governo de São Paulo. Esta é a chapa
considerada "ideal" pelo presidente nacional do PMDB, deputado Michel Temer,
depois de se reunir com Alckmin no Instituto Teotônio Vilela (ITV), ligado aos
tucanos.
O eleitorado entenderá de agora em diante, na visão do presidente do PMDB,
que a legenda está dividida entre Lula e Alckmin e que não é "líquido e certo" o
apoio ao atual presidente, especialmente após a entrega a integrantes do partido
de toda a diretoria dos Correios.
"As nomeações pegaram muito mal ao PMDB. Deixamos claro que nem todos
concordam com a prática de receber cargos sem a participação inteira no governo
e demonstramos que nem todos encamparam a reeleição de Lula", justificou.
A aparição de Temer ao lado de Alckmin feita hoje teve objetivo de
contrabalançar o apoio que a ala governista do PMDB tem dado à reeleição do
presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Tudo dava a impressão de que o PMDB
embarcou na reeleição do presidente Lula e estou aqui para mostrar que isso não
acontece. Há uma clara divisão de diretórios", disse.
Ele disse que os diretórios de Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso do Sul,
Pernambuco, Piauí, Distrito Federal, Espírito Santo, Rio Grande do Norte e Acre
estão com Alckmin. "São Paulo, Rio de Janeiro, Mato Grosso e Rio Grande do Sul
vão se manter neutros", acrescentou.
Temer anunciou ontem apoio a Alckmin, um dia após o jantar organizado pela
ala governista do PMDB, na Granja do Torto, no qual o presidente Lula recebeu o
apoio de pelo menos 19 dos 27 diretórios do PMDB que lançaram o Movimento
pró-Lula.
Ao insistir que seu apoio a Alckmin é "programático", Temer disse que
apresentou propostas a serem incluídas no programa de governo tucano, caso de
medidas como redução ou eliminação da publicação de medidas provisórias do
Executivo; ampliação do Programa Bolsa Família, mas também com adoção de
projetos de desenvolvimento regional para a saída dos beneficiados do programa
assistencialista.
A retomada da onda de violência que atinge São Paulo não foi tratada durante
o encontro, garantiu Temer. "O que posso dizer é que Alckmin assumiu o
compromisso de executar minha proposta para a segurança pública, de expansão
maciça de investimentos federais em São Paulo", limitou-se a
dizer.G
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