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Policial distribuía folheto pró-PSDB na Assembléia
A discussão política sobre a responsabilidade pela
nova onda de ataques criminosos extrapolou o campo eleitoral e, ontem,
também virou caso de polícia. O subtenente aposentado Donato Aparecido
de Biagi, 64 anos, foi parar na delegacia após entrar na Assembléia
Legislativa para distribuir panfletos anunciando que o PT, com objetivo
de desprestigiar a sucessão tucana ao Estado, estaria incentivando as
recentes ações do Primeiro Comando da Capital (PCC).
Acusado de
infringir artigos da Lei Eleitoral que proíbem propaganda difamatória,
Donato foi flagrado por petistas nos corredores do Palácio Nove de
Julho e, com ajuda dos policiais da Assembléia, encaminhado ao 36º
D.P., na Vila Mariana, Zona Sul da Capital.
O policial disse ter
resolvido divulgar os textos por estar inconformado com a situação do
país. "Estão fazendo de tudo para prejudicar o governador de São Paulo
(Cláudio Lembo, PFL). Estão incentivando o PCC a agir da maneira como
estão agindo", diz um trecho do manifesto, assinado pelo subtenente - "
um Cidadão Idealista, sem vínculos com partidos políticos".
Segundo
o aposentado, foram feitos mais de 10 mil panfletos. "Distribuí em
favelas e ônibus", contou, enquanto esperava para prestar depoimento .
"Se eu tiver que ser preso, vou sem problemas. Pelo menos minha parte
eu fiz", afirmou. Às 20h, depois de pagar uma fiança de R$ 293, Donato
foi liberado.
Para o líder do PT na Casa, Ênio Tatto, "há um
dedo do PSDB nessa história". O líder governista, Edson Aparecido,
respondeu dizendo que seu partido "nunca usou" esse tipo de tática.
"Sempre denunciamos pelos canais oficiais os desmandos e a falta de
ética do PT", afirmou.
No Rio de Janeiro, o candidato à
Presidência pelo PSDB, Geraldo Alckmin, entrou no assunto e inverteu
ainda mais o jogo. Disse que são os criminosos do PCC os suspeitos de
usarem os ataques como arma política. O ex-governador alegou não ver
lógica em ladrões, "normalmente interessados apenas em lucro fácil",
atacarem policiais e outros alvos, além de afirmar que a polícia
deveria investigar se há motivação política para os incidentes.
Alckmin,
contudo, não foi explícito e não mencionou quem poderia ser
supostamente beneficiado pela ação dos bandidos. "É uma coincidência a
motivação desses ataques. Que é estranho, é. Acho que é para ser
investigado, acho que precisa ser investigado, quais são as causas que
estão por trás disso. Cabe à polícia investigar."
Eleição estadual
Os
candidatos ao governo paulista Aloizio Mercadante (PT) e Orestes
Quércia (PMDB) aproveitaram a nova onda de ataques para criticar a
atual gestão.
Mercadante condenou a entrega de viaturas
policiais - evento realizado pelo governo estadual às 10h, em frente ao
Estádio do Pacaembu. "Deviam suspender a cerimônia, (a polícia) não tem
comando. Deviam colocar os carros na rua para fazer patrulhamento
preventivo."
Quércia voltou a criticar a falta de comando do
atual governo no combate ao crime dentro dos presídios . O candidato
disse ainda ser favorável à ajuda do exército para substituir policiais
na segurança de prédios públicos, presídios e delegacias. O candidato
do PSDB, José Serra, também afirmou que não vê problemas na ajuda das
Forças Armadas. "O secretário da Segurança (Saulo de Castro Abreu
Filho)propôs que o Exército guardasse as muralhas das prisões e, com
isso, liberaria muito PM para o trabalho de rua. Essa, por exemplo, é
uma colaboração que poderia ser feita."
Serra, que visitou ontem
a Brasilândia, Zona Norte, também disse ter visto "avanços" no trabalho
da polícia e que, em função disso, o novo ataque veio "com menos força"
do que nos atentados anteriores.
Link da matéria: http://txt.jt.com.br/editorias/2006/08/08/pol-1.94.9.20060808.4.1.xml
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