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Em época de campanha, a constatação de que a propaganda eleitoral
gratuita na verdade é paga pelos contribuintes, por meio de compensação
fiscal concedida pelo governo às emissoras de rádio e TV, é mais um
motivo de polêmica entre políticos, telespectadores e estudiosos do
tema. Isso fica bem claro no programa Ver TV especial sobre o horário eleitoral, que está sendo veiculado pela TV Câmara em parceria com a Radiobrás (confira aqui os horários de exibição).
Segundo especialistas, as críticas generalizadas ao horário eleitoral
gratuito, principalmente entre os telespectadores, não levam em conta a
justificativa para a sua existência: a garantia de igualdade de
condições para os candidatos apresentarem propostas.
Até o dia 28 de
setembro, os eleitores terão a chance de saber, por meio da propaganda
eleitoral, o que pretendem os candidatos à Presidência da República;
aos governos estaduais; ao Senado; à Câmara dos Deputados e às
Assembléias Legislativas. As novas regras em vigor - que proíbem, por
exemplo, showmícios e distribuição de brindes - podem inclusive ampliar
a importância do horário eleitoral na divulgação das candidaturas.
Mas,
de acordo com Oscar Luiz Piconez, da Associação Brasileira de Rádio e
Televisão (Abert), o programa eleitoral gratuito não deveria ser
obrigatório e poderia ser menor, já que atrapalha a programação das
emissoras. "Está comprovado que a audiência da televisão cai em 15%",
afirma.
Público x privado
O advogado Rubens Naves,
fundador e conselheiro da ONG Transparência Brasil, informou que cerca
de R$ 191 milhões deixarão de ser arrecadados em impostos pelas
emissoras. Isso significa que, na verdade, parte do financiamento das
campanhas eleitorais já é público, isto é, pago pelo contribuinte.
Na
avaliação de Rubens Naves, o horário gratuito é importante para
minimizar a desigualdade de condições entre os candidatos, já que o
poder econômico domina as campanhas. "O horário eleitoral é um espaço
igualitário", avaliou. Segundo ele, a campanha deveria ser financiada
integralmente pelo Poder Público. O advogado é favorável ainda ao
aumento dos recursos públicos na campanha, além de um controle mais
rígido dos recursos privados.
Uso de recursos
Um
aspecto polêmico levantado pela mídia durante os escândalos de
corrupção divulgados em 2005 foi o gasto com as campanhas eleitorais e
com as doações ilegais de empresas para candidatos e partidos, o
chamado "caixa dois". Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), os
gastos dos candidatos com a campanha deste ano podem chegar a R$ 19,79
bilhões, apesar das novas regras.
No entanto, o advogado Rubens
Naves acredita que hoje está mais difícil captar recursos oficiais e
oficiosos (caixa dois), pois a sociedade ficou mais atenta a essa
questão e os empresários não querem associar as imagens de suas
empresas a políticos corruptos.
O pesquisador de Comunicação e
Política da Universidade Federal da Bahia Leandro Colling destacou que
os gastos com as eleições são tratados como se fossem desnecessários.
"É caro sustentar uma democracia; mas, se não queremos pagar, podemos
escolher outro regime", provocou.
Colling observou que no Brasil
somente o fundo partidário distribuirá entre os partidos
aproximadamente R$ 120 milhões, neste ano, para gastos eleitorais. Ele
lembrou que nos Estados Unidos, por exemplo, os partidos pagam pela
publicidade e, por isso, "o poder econômico é mais violento ainda".
O
diretor do Instituto de Pesquisas Vox Populi, João Francisco Meira,
ressaltou que o elevado custo das campanhas no Brasil tem a ver com o
tamanho dos distritos eleitorais. "Fazer campanhas nos estados - que
são os nossos distritos para as eleições deste ano - é caro, porque
eles são muito grandes", lembrou.
Cristiane Bernardes e Newton Araújo Jr.
link da matéria: http://www.camara.gov.br/internet/agencia/materias.asp?pk=92276
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