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O maior desafio da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva, a partir de
agora, não é mais manter a distância que separa o presidente do maior
perseguidor, o tucano Geraldo Alckmin. O maior desafio é conter a
euforia. O risco do salto alto e a necessidade de combatê-lo
constituem, no momento, a maior preocupação do PT.
Os novos números das pesquisas Ibope e Datafolha, reforçando a
tendência que se mantém inalterada desde o início, criaram um
indisfarçável clima de "quase já ganhou" dentro do PT.
Com todas as cautelas, recomendadas pela distância a ser percorrida até
primeiro de outubro, setores do comando da campanha de Lula admitem que
os novos números são uma "agradável surpresa".
Estrategistas e marketeiros faziam seus cálculos antes da divulgação
das duas pesquisas e esperavam que o quadro de estabilidade eleitoral
se mantivesse.
Eles lembram que para ganhar, no primeiro ou no segundo turno, o que o presidente precisa é que essa endência se mantenha.
Como está na frente e com folgada vantagem, a palavra-chave é estabilidade.
Só que as pesquisas foram além disso.
Lula cresceu em todos os ítens.
A intenção de voto subiu de 47 para 49 por cento.
O voto espontâneo atingiu o recorde de 37 por cento.
Seu programa na TV, com 46 por cento, é o de maior audiência.
Só caiu mesmo o que o PT sonhava que caísse: a taxa de rejeição do
presidente, que recuou de 29 para 26 por cento.
Mas a cereja do bolo, o resultado mais comemorado no coração da
campanha, foi a avaliação positiva do governo, que atingiu o recorde
histórico de 52 por cento.
É quase o paraíso, confessa um analista com estrela vermelha na lapela.
Mas o paraíso ainda está distante, ele mesmo corrige.
"Por isso, toda cautela é pouca.
E nós não vamos permitir que a euforia nos derrote.
A tentação de achar que quase já ganhou é grande.
Mas ainda não é hora de comemorar".
Se todas essas declarações e análises são feitas em off, oficialmente o
comando da campanha de Lula está alertando todos os coordenadores para
evitar três erros fundamentais: 1- confundir pesquisa com eleição; 2-
pensar que a meta é sòmente eleger o presidente da República; 3- achar
que os adversários jogaram a toalha.
O PT admite que "a vantagem que Lula exibe é sólida".
Mas lembra que há ainda 37 dias de campanha no primeiro turno.
"Achar que a eleição está ganha, acreditar que a fatura será
necessariamente liquidada no primeiro turno, pode desmobilizar a
militância na reta final".
O PT também reconhece, abertamente, que além de eleger o presidente é
preciso criar as condições para um segundo mandato melhor que o
primeiro.
Para isso, o partido quer eleger mais governadores, senadores e
deputados que falem a sua lingua.
O comando da campanha de Lula também não quer confundir as atuais
dificuldades políticas dos adversários com "a falta de vontade e de
meios para tentar causar danos à nossa campanha".
Carlos Conde link da matéria:http://ultimosegundo.ig.com.br/materias/eleicoes2006/2499001-2499500/2499112/2499112_1.xml
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