"É inacreditável que votem ainda nesse partido. O PSDB demorou para
reagir", disse o ator Fulvio Stefanini. "Acho que houve cerimônia em
relação à postura do candidato de não bater. Infelizmente o jogo é
esse." Ele afirmou que respeita os artistas que deram apoio a Lula em
reunião no Rio, mas acredita que "estão sendo ingênuos".
"Os candidatos do PSDB precisam frisar a roubalheira que existiu
e mostrar que há uma diferença ética entre nós", reforçou o maestro da
Orquestra Sinfônica do Estado, John Neschling. Os cerca de 100 artistas
e intelectuais presentes, incluindo Juca de Oliveira, Irene Ravache,
Cacá Rosset, Toni Ventura, Patrícia Melo e Leôncio Martins Rodrigues,
não ficaram sem resposta. De novo, o discurso mais duro foi do
ex-presidente Fernando Henrique. "Não podemos deixar o País ser
envenenado homeopaticamente pelas mentiras, as calúnias e a falta de
vergonha", discursou, sob aplausos.
"Eles (o PT) perderam o respeito. Podem não ter perdido ainda a
popularidade, que é coisa diferente, mas o respeito sim", disse FHC.
"Caixa 2 é reprovável, mas é outra coisa. É dinheiro particular e
não-declarado. Está errado. O mensalão é dinheiro público, saiu de
bancos públicos e foi utilizado para corromper não uma pessoa, mas uma
instituição, o que é mais grave", argumentou.
"Não cabe aos candidatos do PSDB assumirem posição mais forte de
contestação", disse. "Mas cabe a nós, que somos cidadãos, dizer o que
pensamos. E pensamos e que temos que mudar quem está no governo, porque
eles estão arruinando o que há de mais precioso numa nação, que é o
respeito. Não podemos deixar que essas questões desapareçam do
sentimento nacional. Porque elas farão mal ao País amanhã."
Alckmin foi mais ameno ao discursar, mas reforçou o coro. "Não
estou atacando ninguém. Estou fazendo o que todo brasileiro faz, que é
combater a corrupção."
Agência Estado
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