SÃO PAULO - Autora do bordão "não vote nulo, vote nela", a candidata do PSOL a presidente, Heloísa Helena, afirmou nesta segunda-feira que votar nulo é mais respeitável que ajudar a eleger um de seus adversários.
- Eu tenho obrigação de respeitar o voto nulo, embora saiba que ele auxilia a quem tem o poder econômico e a máquina pública. Agora, que ele é mais respeitável do que o voto de quem sabe da corrupção e quer reeleger a corrupção, com certeza é - disse a candidata a jornalistas, após sabatina do jornal "Folha de S.Paulo".
Terceira colocada nas pesquisas, com cerca de 10% das intenções de voto, a senadora alagoana repetiu as críticas ao tucano Geraldo Alckmin e ao petista Luiz Inácio Lula da Silva, que, segundo as pesquisas, poderia se reeleger já no primeiro turno. Para ela, "os dois são lados da mesma moeda".
Apesar de fazer um discurso com base na esperança, a senadora mostrou-se descrente na possibilidade de ver realizado o seu sonho de uma sociedade mais justa.
- Acho que não vou ver uma sociedade socialista, é muito difícil - afirmou Heloísa, com a voz exaltada.
A candidata voltou a dizer que pretende "abrir procedimentos investigatórios sobre os governos Lula e Fernando Henrique Cardoso" para apurar irregularidades nas contas de ambos os governos.
A senadora demonstrou irritação ao ser indagada sobre as acusações de que teria votado, em 2001, contra a cassação do senador Luiz Estevão, envolvido em denúncias de corrupção e apontado, segundo ela, por "machistas e sórdidos", como seu amante.
- Eu vomitaria nele - disse a candidata.
Heloísa também atacou o senador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), autor das denúncias de que ela teria votado a favor de Estevão.
- Entre a minha palavra e a palavra do ACM, vale mais a minha - vociferou, sob aplausos de grande parte das cerca de 200 pessoas presentes.
Reuters
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